14 de abril de 2008

Porto Infinito...


“Sou a cena viva onde passam vários actores representando várias peças.” A frase que Bernardo Soares escreve pelo punho de Fernando Pessoa é uma das muitas epígrafes possíveis de "Turismo Infinito", espectáculo em que Ricardo Pais dobra a esquina de diversas sínteses, empreendendo uma viagem ao fulgurante universo de Fernando Pessoa. Este “porto infinito” de onde chegam ou de onde partem o guarda-livros Bernardo Soares, o histérico e futurista Álvaro de Campos, o interseccionista “Fernando Pessoa” e o bucólico mestre Alberto Caeiro.
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Apesar do cansaço de um dia, ou melhor, de uma semana inteira de trabalho fomos ver a peça "Turismo Infinito".
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Num cenário negro e com personagens de um cinza que se torna carregado na figura de Álvaro de Campos, "Turismo Infinito" não é um recital de poesia. É teatro a partir dela, em que cada texto transporta o seu próprio drama, abrindo-se e fechando-se para dar lugar a outro. Gostei imenso do espectáculo, cuja maior dificuldade para quem representa, é sem dúvida a ausência de diálogos, facto que não belisca em nada a precisão dos cinco actores em palco.
O único senão talvez seja mesmo o curto espaço de tempo para a quantidade de belíssimos textos magnificamente representados, e a rapidez com que ouvimos e vemos uma sucessão de vozes e personagens que se vão esfumando de uma mente muito particular.
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"Criei em mim várias personalidades. Crio personalidades constantemente. Cada sonho meu é imediatamente, logo ao aparecer sonhado, encarnado numa outra pessoa, que passa a sonhá-lo, e eu não.
Para criar, destruí-me; tanto me exteriorizei dentro de mim, que dentro de mim não existo senão exteriormente. Sou a cena viva onde passam vários actores representando várias peças."
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