A Vida no Paraíso: 2019-04

29 de abril de 2019

Pavlova de Páscoa com doce de ovos e amêndoa

Esta magnífica e deliciosa Pavlova foi feita para o almoço de família no dia de Páscoa deste ano, e foi um sucesso. Sou fã deste doce há muitos anos, é dos meus doces preferidos mas por incrível que pareça nunca tinha feito nenhuma, tinha algum receio que algo corresse menos bem mas foi uma estreia que correu muito bem. A repetir muito e muito cá em casa e nas mais variadas versões!!

Ingredientes {6 claras de ovos, 250 g de açúcar em pó, 1 pitada de sal, doce de ovos, fios de ovos, 100 g de amêndoa palitada}

Começar por pré-aquecer o forno a 150 graus e forrar um tabuleiro de forno com papel vegetal.
Bater as claras em castelo com uma pitada de sal, até ficarem bem firmes.
De seguida adicionar aos poucos, sem parar de bater, o açúcar em pó até obter um merengue que deverá ter um aspecto brilhante e formar picos consistentes e cremosos.
Colocar o merengue sobre o papel vegetal de forma a criar um circulo, como se fosse um bolo mas sem a forma.

Levar ao forno pré-aquecido entre 60 a 90 minutos nunca alterando a temperatura, o merengue deverá ficar dourado e crocante por fora e o interior macio e cremoso.
Desligar o forno e deixar a Pavlova arrefecer completamente dentro do forno com a porta entreaberta, assim evitará que abata.
Quando estiver completamente arrefecida pode decorar se for para servir de imediato ou então poderá decorar apenas no momento de servir.
Primeiro deve cobrir com o doce de ovos, depois com os fios de ovos e por fim com a amêndoa palitada previamente tostada no forno ou numa frigideira.

11 anos de vida no Paraíso

Este mês de Abril o blogue fez 11 anos de existência e hoje mais que nunca faz todo o sentido relembrar o primeiro post que escrevi no blogue (e que em baixo transcrevo), onde citei um parágrafo de uma obra de João Grave onde fala do Porto de 1927. A nossa casa já existia nesse ano, e agora podemos dizer que as ruas do Porto voltaram à vida e ao movimento que João Grave lembra com saudade neste texto.
No entanto, este movimento atual deve-se ao turismo e não a uma melhor qualidade de vida dos portugueses como na altura acontecia. Onde a sociedade frequentava os teatros, os bailes, iam ouvir os poetas, e as ruas e os jardins enchiam-se de famílias.
A Rua da Bainharia, outrora uma viela estreita e sórdida, voltou a ser o passeio preferido graças aos turistas, mas infelizmente a maioria dos seus habitantes teve que deixar os seus lares para dar lugar a um número infindável de alojamentos locais.
O turismo está a ser bom e mau, a cidade está a ficar sem os seus genuínos habitantes, e as casas que estão a ser recuperadas a perder a sua genuinidade, e começam a parecer todas iguais.
Não está a ser fácil assistir a esta transformação diária da minha cidade, espero estar enganada mas daqui a alguns anos esta cidade ficará ainda mais vazia do que era antes.
Uma comemoração em jeito de desabafo de alguém que escolheu viver na cidade onde ninguém queria viver, onde ninguém queria estar sequer e agora todos querem ter a qualquer custo!

O PORTO DE 1927

O Porto era, então, a capital do norte, perfeitamente isolada da capital da nação, com a sua vida autónoma e característica, os seus hábitos, os seus costumes, as suas tendências. A gente de dinheiro de entre Douro e Minho e de Trás-os-Montes vinha aqui refugiar‑se enquanto durava o Inverno, frequentava os teatros, tinha as suas reuniões, oferecia os seus bailes e ia ouvir os poetas, de grenha ao vento, pedirem o mote às freiras, pelos outeiros dos conventos. Nesses anos, ainda a Bainharia — hoje uma viela estreita e sórdida — era o passeio preferido pelo mundanismo portuense, que por lá aparecia às tardes, de badine, chapéu alto de abas direitas, gravata tufada, e perfumes no lenço de finas rendas: e ruas e praças tinham um movimento, uma alegria, um enlevo que hoje não possuem!

in O Passado de João Grave, 1927.